segunda-feira, 30 de março de 2026

Cortando o mal pela raiz! (Parte 1) ⚔️🪾

- 3ª Era, em 2.990 a. R.

O mundo não percebeu quando Druantia chegou. Héphyris estava ocupada demais com suas próprias dores, suas guerras mesquinhas e seus panteões fragmentados. Ela era apenas uma semente, uma promessa distante, um suspiro de consciência que caiu e se aconchegou nas areias escaldantes do Deserto de Reggardian. Mas onde os olhos mortais viam apenas a vastidão estéril, Druantia viu um útero.

Ela não conquistava com espadas. Conquistava com tempo.

Os primeiros foram os nômades Desênyos, os exilados, os povos que a necessidade havia empurrado para o limiar da sobrevivência. Eles encontraram o Oásis Pulsante. Não era um milagre efêmero; era ela. Onde sua essência tocava a areia, o verde brotava, antinatural e vibrante. A água que oferecia era doce como o mel da vida, os frutos, suculentos e reparadores. Eles caíram de joelhos. O culto à Deusa-Raiz nasceu antes mesmo que eles soubessem seu nome.

A troca era simples, a princípio. Proteção e devoção em troca da abundância que o deserto lhes negava. Mas Druantia não queria apenas guardiões; ela queria um exército. Ela queria braços e pernas, olhos e mentes conectados à sua rede.

Geração após geração, a floresta cresceu e seus filhos se transformaram. A pele outrora curtida pelo sol começou a desenvolver cascas sutis; olhos humanos ganharam o brilho da seiva; o sangue tornou-se espesso e verde. Os Hortalgans haviam surgido. Não eram mais apenas mortais. Eram a extensão viva de Druantia, totalmente conectados, totalmente dependentes, totalmente obedientes à consciência que agora orquestrava o mundo.

Um dia, as raizes de Druantia atingiram o núcleo poderoso de Héphyris, data que ficaria conhecido como a Ascensão Verde. Em um único ciclo, florestas brotaram onde jamais houvera verde.

Cidades inteiras foram engolidas em dias, suas torres de pedra transformadas em colunas cobertas por cipós pulsantes que respiravam em uníssono. Onde a floresta brotava, os Hortalgans já estavam lá.

Os deuses de Héphyris, fracos e divididos, nada puderam fazer. A resistência, então, caiu sobre os ombros dos mortais. Reis, conselhos, clãs e tribos — todos sob o mesmo estandarte improvisado: sobreviver. Eles queimaram a mata. Eles cortaram os troncos. Mas a floresta renascia semanas depois. Era como tentar esvaziar o oceano com baldes.

Foi então que a estratégia mudou. O alvo não era a floresta, mas o coração dela.

A Fronte de Oldek foi criada no norte de Reggardian, cercando a floresta primordial — o Coração Verde onde Druantia estava enraizada. Tornou-se o símbolo da resistência mortal. Milhares de soldados vindos de todos os cantos do mundo compunham suas fileiras. Humanos, elfos, anões, bestiais... todos lutando por sua existência sob o fogo de dragões e o estrondo de catapultas.

Mas a floresta respondia. Troncos colossais emergiam por cima da copa das árvores e despencavam sobre as fileiras humanas. Raízes explodiam sob o solo, arrastando unidades inteiras. Oldek não era apenas uma batalha. Era um espetáculo constante de destruição. E tudo aquilo tinha um propósito maior.

A estratégia não era vencer ali. Era distrair.

Enquanto Druantia concentrava sua consciência na Fronte de Oldek, equipes menores e especializadas, montadas a partir dos reforços que chegavam contantemente, partiam de acampamentos discretos. Unidades com uma única missão: atravessar a floresta, alcançar o centro e fazer o impensável.

Matar uma deusa.

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