- Por volta de 3.000 à 1.017 a. R.
Durante toda a 2ª Era, espalhou-se entre os povos litorâneos de Héphyris a lenda de um monstro que navegava rente às praias de Reggardian, devorando animais, criaturas e até monstros marinhos dos reinos submersos. Sua fúria foi tamanha que, diziam, que até mesmo a deusa Calypso se enfurecia contra sua presença.
Num entardecer que marcou o início da 3ª Era, enquanto muitos travavam guerras no mar contra a própria Calypso em busca de novas terras, Ron McFlyer e seus bandidos se infiltraram e dominaram Pontália, ao sul de Reggardian. No alto da torre costeira mais imponente, ele arrastou consigo a família real como prisioneira. Ali, diante do horizonte, conjurou algo que chamou de Caronte, o Nuvem Negra.
Em seguida, lançou a família inteira da torre para as águas revoltas. Foi quando a névoa que cercava o mar começou a se contorcer, e dela emergiu um rosto colossal, flamejante e disforme, que devorou todos os que haviam sido lançados. Logo depois, surgiu ele: um navio obscuro, cercado por brumas espessas. Suas velas rasgadas pareciam se rasgar e se recompor a cada sopro do vento, e o casco respirava como se fosse um ser vivo — inflando e retraindo como um pulmão amaldiçoado.Ninguém sabe ao certo se Ron McFlyer já possuía algum pacto com a criatura, ou se naquela noite selou um destino sombrio ao embarcar nela. Mas carregando o ouro roubado de Pontália, ele subiu a bordo junto de seus homens, e juntos desapareceram na névoa. Rumaram ao sul, onde massacraram cecaélias e outras entidades marinhas que serviam a Calypso, enfrentando sua tempestade, até aportarem em uma vasta terra inexplorada. Mais tarde, essa região seria chamada de Petrenix, berço do futuro reino de Pétra.
Por dois milênios, o Caronte deixou de ser apenas uma história contada nas costas do mundo para se tornar uma ameaça palpável. Batalhas inteiras foram ceifadas por ele, e raros sobreviventes voltaram — sempre insanos, murmurando sobre o navio-monstro que devorava tudo ao seu redor se contorcento e avançando sobre suas vítimas como uma criatura viva que rugia e destroçava tudo com uma boca cheia de presas de madeira e metal em seu casco.
Há histórias que descrevem que uma das únicas formas de mata o navio vivo é subindo a bordo e invadindo o interior causando danos serveros em suas paredes de madeira cheias de veios e tecidos vivos e la dentro encontrar e atingir seu coração. Porém, quando a bordo, o interior do navio parece um labirinto escurecido de madeira e carne que se reestrutura a cada respiração da fera deixando seus oponentes perdidos e atormentado enquanto também podem receber ataques de criaturas mortas-vivas, que outrora já foram devoradas pela embarcação e são condenadas a reanimação para cumprir com sua proteção. Mas, o risco maior, é, que mesmo estando dentro sem ser devorado, o invasor corre risco de ficar perdido e ser digerido.Outra forma é investir constantemente em poder de fogo capaz de destroça-lo de fora até seu interior sem dar tempo para que se regenere.
Diziam que não apenas cruzava os mares: Caronte também podia submergir ou se erguer do oceano como um navio voador, ou mesmo cortar dunas de areia como se deslizasse sobre ondas invisíveis.
Por fim, em 1.017 a.R., os registros da marinha de Medéia relatam o último confronto. A fera navegante, após por um fim a frotas inteiras ceifando a vida de milhares de marinheiros, foi cercada e abatida numa batalha lendária, até ser despedaçada e finalmente submergir nas profundezas.Desde então, apenas o silêncio das águas guarda a lembrança de sua fúria… mas muitos ainda juram que, nas noites em que a neblina cobre o mar, a sombra do Nuvem Negra continua à espreita.


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