domingo, 15 de setembro de 2024

Eu tenho "pena" de você! 🪶⚔️

 - 4ª Era, 977 a. R.

Ao sul do continente de Reggardian, no norte da Floresta Reggardian, na divisa com as areias do deserto, mortais trajados com armaduras decoradas com penas erguem tendas e fincam estandartes nas extremidades de um pequeno acampamento enquanto carregam macas com feridos e fazem pilhas de corpos afastados das entradas.

Entre eles, caminha em passos lentos, Karurã, a gloriosa ave divina enquanto recebe suas reverencias ao passar pelo acampamento.

- Senhor. Acabamos de derrotar uma elite inteira, tivemos muitas perdas, vais reivindicar esta posição? - pergunta um de seus servos andando lado a lado com ele com um pergaminho e uma pena de tinteiro em mãos.

- Senhor, isso, senhor aquilo, senhor não faça isso, senhor não faça aquilo. Que coisa mais entediante - responde a divindade, arremedando o servo com os olhos virados para cima enquanto abre a cortina de uma grande tenda com as costas de uma de suas garras, e entrando, senta-se em um grande trono de madeira onde servos o esperam com bandejas de bebidas e alimentos e outros enrolam tiras de curativos em seu antebraço machucado apoiado no braço do trono.

- Meu senhor, eu o aconselharia a não ... - tenta falar novamente seu servo e então, ele o interrompe:

- Silêncio, silêncio, ssshhhh!

Ele enche as garras numa bandeja com carne crua de animais abatidos segurada por um de seus servos os jogando constantemente, aos poucos, para dentro do bico e então torna a dizer:

- Você quase estragou o meu apetite! O que ia dizer mesmo?

- Então, meu senhor, eu o aconselharia a não entrar em combate por enquanto, pois, teve dias difíceis nas últimas luas e estamos defasados. - responde o servo.

E logo, com a boca cheia, mastigando, ele responde:

- Quero que você vá lá fora e arrume agora mil exércitos para eu lutar!

E sem graça, o servo responde:

- Entendo, senhor, és muito forte e imbatível nós cremos!

Um de seus comandantes logo o interrompe abrindo a lona da entrada da tenda e informa:

- Há uma embarcação próxima, senhor. Talvez seja a nossa!

Imediatamente, até mesmo para de mastigar, levanta-se e anda junto a todos para fora da tenda e bloqueando com uma de suas asas o sol de fim de tarde que desce alaranjado rumo ao horizonte, faz seus olhos brilharem como ouro levando sua visão muito além da sua localização o capacitando de enxergar o navio o mais de perto possível, mas devido ao seu desgaste atual sua visão logo se esvai.

Ele então coloca sua garra em seus olhos e abaixa sua cabeça a sacodindo como se estivesse com dor deixando todos preocupados e apreensivos, fica parado por um tempo e só então reponde:

- Não é nosso, é um ilheiro

- E o que fazem aqui, Senhor? - pergunta o comandante e a divindade o responde:

- Essa região é uma área de escape de ilhas nascidas no ventre, é comum que estejam aqui.

Todos se recolhem e então, escurece na região, guerreiros acendem fogueiras e tochas por todo o acampamento enquanto revezam sua guarnição e queimam pilhas de cadáveres do lado de fora

...


Durante a madrugada, próximo ao amanhecer do dia, no porão do navio, em uma grande oficina adaptada, Astran, um ruivo de cavanhaque com uma feição séria e um físico de combatente, também um tenente comandante divinanti, permanece em pé em uma plataforma de madeira enquanto ferreiros vestem e ajustam uma armadura em seu corpo. Era uma armadura bestívora feita de águia, uma das primeiras, uma das melhores já desenvolvidas e testadas.

Uma talha em um guincho de madeira desce uma corrente com ganchos onde estava pendurado o peitoral da armadura que se encaixa perfeitamente em seu dorso enquanto as peças são fixadas umas nas outras com grampos e pinos.

Uma tubulação de couro ligada no núcleo do peitoral da armadura pulsa no chão mandando algo que parecia carregar ou abastecer a armadura.

- Carregado, rapazes, vamos concluir! - grita um dos homens.

Os ferreiros continuam a conclusão da montagem enquanto outros dois abrem os grampos e retiram a tubulação do peitoral da armadura. Então, um homem com vestes longas, para na frente de Astran, do qual somente o elmo falta colocar, ergue um cetro de madeira tortuosa e encosta a ponta no núcleo do peito e uma simbologia de escritas brilhantes aparece na circunferência do núcleo e o homem em seguida diz:

- Essa era toda energia de Oberon que tinhamos disponível aqui, suficiente para tal feito, já que assim deseja!

Astran, sem nada dizer, apenas da um gesto positivo de cabeça e todos se afastam, as correntes começam a puxar e a plataforma começa a subir levando ele ao convés do navio onde outras unidades de divinantis também armados o aguardavam enquanto de mantinham atentos ao redor do navio.

Surgindo por completo no convés, Astran observa um lindo céu alaranjado que marca a manhã de um dia decisivo em sua vida, ele então desce da base da plataforma e começa a andar lentamente em direção a abertura do parapeito com o elmo metálico de águia embaixo do braço direito.

Logo, Astran ergue o braço e faz um giro de mão aberta, então o contramestre do navio começa a andar em meio a tripulação e grita:

- Agora, todos ao trabalho! Guinada total a bombordo! E rápido senhores, mantenham o leme firme!

O grande navio mascarado de ilheiro começa a converter sua direção de volta para onde veio.

Homens circulam Astran fazendo a última averiguação visual e um deles da um sinal de positivo para ele confirmando que tudo estava certo.

Quando o grande ilheiro fica na perpendicular, com a lateral virada para o acampamento de Karurã, mesmo que consideravelmente muito distante, Astran diz:

- É agora, que resolveremos isso de uma vez por todas! 

E ainda sem o elmo se joga do convés do navio em uma incrível queda livre rumo ao uma tomada de decisão que não tem mais volta.

Já no ar, o comandante, determinado, calmo, coloca o elmo de águia na cabeça, bate a mão no núcleo e abre os braços já atingindo espontaneamente o nível dois da armadura que lhe permite planar rumo ao conflito.

...

No acampamento, o sol ainda nem surge no horizonte, mas o clarear já indica um novo dia, a divindade alada sai de sua tenda, dando alguns passos a frente e abre bem seus braços e asas se espreguiçando, quando então seus olhos dão um breve brilho dourado que acende um pressentimento estranho.

Tudo parece aguçar ao redor de Karurã, o som a velocidade das suas unidades que se movem pelo acampamento são presenciadas lentamente por ele.

A divindade de asas então olha para o horizonte de onde ontem haviam visto o navio e da um forte crocitar seguido de um comando breve de seu general:

- Atenção! Formação!

As unidades começam a formar em tropas, guerreiros ainda desarmados se organizam e passam ligeiramente pegando suas armas nos cavaletes, seguram seus escudos, espadas, lanças, arcos, bestas, cajados e vestem seus elmos.

...

Astran, se aproximando mas ainda a quilômetros do seu alvo, desce o máximo e começa a planar entre a copa das árvores mais altas rente as rochas das planícies e rente as águas dos riachos para não ser facilmente visto enquanto começa a esfumaçar pelo seu bico metálico que se modela ainda mais a uma feição cada vez mais parecida com a de uma águia enquanto suas vestes embaixo de suas asas começam a aumentar deixando de ser planadores para se tornarem asas e seus músculos sofrem um considerável aumento de volume. Era nítido, Astran pretendia chegar em eu seu alvo já com a bestívora na fase três que aos poucos ganhava forma durante o trajeto, mas algo inesperado chamou sua atenção, o núcleo sofreu uma leve e rápida diminuição projetando algumas faíscas.

...

Karurã caminha diante das tropas em formação enquanto encara suas unidades numa determinação de batalha e em seguida se vira para o horizonte e solta outro forte crocitar.

Após pouco tempo de espera, ansiosos e atenciosos com a direção para onde seu senhor olhava, foi possível notar um vulto extremamente rápido que passou movimentando as árvores em seu trajeto soltando e levantando um grande número de folhas. Nisso, tropas de lanceiros circulam seu deus e o cercam em formação mantendo as pontas das lanças alinhadas com a mata densa de onde se espera o ataque.

Então, uma forte movimentação vinda do fundo da mata assusta os pássaros que fogem desesperado sem rumo e logo surge nas extremidades da floresta, tão rápido que passa dentre duas grandes árvores as derrubando com os galhos das copas próximos as tropas erguendo uma grande nuvem de poeira com o impacto ao solo que cega as unidades de combate.

Astran, sai da mata tão repentino, bufando vapor com os olhos incandescentes passando rente ao solo tão rápido que parecia se transferir de lugar enquanto matava os lanceiros com um só golpe deixando-os perdidos lanceando o ar na busca por acerta-lo.

- Mas, que porcaria é essa!? - questiona Karurã enquanto com os olhos dourados acompanha os movimentos do bestívoro.

Soltando vapor pelo bico, boca e narinas, ele para diante de todos e permanece um tempo encarando eles, os homens da divindade alada seguram firme suas armas, apertam os cabos com as mãos, transpiram e engolem seco, mas, seu deus, confiante, fala:

- Gostei do figurino e tudo, mas, acho que não há espaço para dois alados poderosos por aqui, então, me diz, oque você quer?

Já exalando muito vapor, com os canais de energia cada vez mais incandescentes, ele ganha ainda mais aspectos de uma ave, mas, algumas faíscas se projetam para fora do seu bico e isso chama um pouco a atenção de Karurã que logo torna a dizer:

- Ta ansioso? Vai vomitar?

O coração de Astran se enche de fúria, ele solta um forte grito de águia misturado com uma rouquidão  metalizada e investe contra ele invadindo o corpo da tropa lançando homens longe, nisso ele passa com o corpo abaixado próximo do chão e agarra um dos combatentes pelo tornozelo e com um impulso se projeta do chão com um forte bater de asas que lançam homens, poeira e ciscos para todos os lados e em seguida desce em direção a divindade que permanece de braços cruzados o encarando e com um forte pouso seguido de um giro de braço, bate o homem do exército alado contra o chão em sua frente deixando uma enorme mancha estourada de sangue sobre o solo.

A ave divina não se move, permanece de feição fechada e braços cruzados encarando o bestívoro que esta em sua frente abaixado em posição de pouso, poucos metros, segurando ainda o tornozelo da unidade estourada no chão entre eles.

- Certo, certo, o que significa todo esse show barato que estamos vivenciando aqui? - questiona o deus.

Astran solta o tornozelo em sua mão, fica em pé e responde:

- Eu não tinha nada contra este homem. Mas, ele cometeu uma escolha errada na vida dele e isso o levou a essa situação deplorável...

Impaciente, Karurã o interrompe:

- Ah, vamos lá, chega desse discurso e fala logo o que você quer!

Astran, então, enfurecido, prossegue:

- Seguir você foi o erro dele e matá-lo infelizmente mostra através da sua reação a todos aqui que você nunca se importou com ninguém, nem com os que morrem por você, tampouco com aqueles que não tem culpa por estarem no seu caminho mesmo que não estejam fazendo nada para você!

A divindade aperta suas garras fechando seus punhos, estrala seu pescoço e ainda encarando seu oponente, diz:

- Bom, eu já entendi! Vingança, luta, me matar... Ok! De o seu melhor!

Exalando vapor, tomado pelo ódio, ele se impulsiona com suas asas metalizadas contra o divino alado mirando suas garras em sua garganta, mas, astuto, o deus faz brilhar dourado seus olhos e com um passo pequeno para trás, vira seu corpo de lado e desvia levemente sua cabeça para trás assistindo Astran passar reto lentamente ao seu lado e com o corpo estando pela metade em sua frente, o divino afere um soco contra a costela do bestívoro que é desviado de sua direção sendo lançado brutalmente contra uma gigantesca árvore nas margens da floresta a quebrando no meio e a derrubando mata a dentro.

O bestívoro, ergue sua mão dentre os estilhaços, cascas e lascas de madeira e a bate firme contra o chão firmando base para se levantar e assim vai surgindo dentre a sujeira que aquela destruição causou.
Quando totalmente em pé, sente uma perda significativa de força que enfraquece a circulação de energia dos canais de poder que partem do núcleo e assim cai de joelho e trêmulo, percebendo também um forte amassado na área atingida por Karurã.

Debochado, o deus pássaro se senta em uma rocha e começa a se justificar e gesticular:

- Bom, sabe, me desculpa, acho que eu acabei exagerando um pouco, mas, é que...

Interrompido durante a fala, ele percebe Astran já em sua frente e se esquiva jogando novamente a cabeça para trás quando a garra da besta metalizada passa a milímetros do seu bico, ele então se apoia com suas garras na pedra onde estava sentado e projeta o corpo dando um forte chute na altura da cabeça do animal de metal que se defende interceptando o golpe com o antebraço e ainda sim, com o impacto é lançado  para pouco distante, mas equilibra seu corpo com suas asas de metal e para em pé.

- Uau! Isso foi definitivamente uma das coisas menos lentas que eu já vi! - diz o pássaro divino com m sorriso impressionado.

Astran chacoalha o braço que defendeu o golpe e algumas fagulhas saem dele. Porém, ele parece confiante, posiciona suas pernas como forma de impulso, abre suas asas e grita:

- Você acabou com a minha vida, tirou tudo de mim!

Karurã ainda sentado na pedra, se expressa como pouco caso e responde:

- Lamento, talvez, mas, eu nem mesmo sei quem você é!

A besta metalizada avança contra o deus de asas e começa a distribuir golpes de garras diretos em seu rosto enquanto ele esquiva-se ligeiramente de todos ele, em seguida, o deus de penas se abaixa passando por baixo do golpe dele e levanta-se com um soco na parte inferior do bico o erguendo para cima que aproveitando o movimento, se vira com um mortal para trás caindo abaixado dentre os corpos que forram o chão.

- Vamos deixar isso mais emocionante, pombo! - diz Astran que exala ainda mais vapor de seu bico pela boca e narinas, abaixa-se já no trajeto e pega duas espadas ao chão e avança novamente contra seu oponente.

Karurã, lentamente, olha para suas garras que vão se tornando metalizadas e quando as lâminas de Astran surgem quase a perfurar seu peito, ele ergue sua mão esquerda tirando as espadas do trajeto, mas, a besta de aço prossegue dando continuidade ao domínio de suas armas e começa a aferir golpes contínuos contra ele na tentativa de corta-lo e ele com passos para trás vai batendo as garras contra o fio de corte das armas empunhada pelo divinanti.

Faíscas ganham o brilho daquele cenário e o timbre de metal ecoa pela borda da mata que circula o acampamento, tudo presenciado e assistindo pelos sobreviventes das tropas do deus de asas que empunhando suas armas, assistem o empasse absurdamente rápido entre um deus e uma aberração de metal .

Conforme Astran se movimenta e libera mais vapor, seu corpo sofre fortes alterações onde suas asas parecem aumentar a cada instante e seus músculos parecem aumentar e ao mesmo tempo se deformar mudando de forma. Porém, o divino alado repara que seus movimentos vão se tornando mais rápidos enquanto uma coisa também chama a atenção, que é a quantidade de fagulhas que começam a se projetar em maior quantidade conforme suas habilidades aumentam.

Karurã bate a palma de sua mão na lateral da ponta de uma das lâminas que se aproxima do seu rosto enquanto bate a outra no inverso acertando o meio da espada e isso faz a espada se estilhaçar no ar e com um rápido e imperceptível movimento, ele segura um pedaço dos estilhaços no ar, retem a outra lâmina de que vinha em direção de seu abdômen segurando a mão do oponente com a outra mão e finca a lasca metálica no núcleo do peito da armadura animal.

Ele ergue o bestívoro o segurando pelo punho dizendo:

- Você veio aqui para isso? Para nada?! - ergue uma de suas pernas e atribui um chute com a planta dos pés direto no peito da armadura e o lança longe que cai rolando até parar esticado sobre o chão.

Deitado, caído, sem se mexer, Astran começa a rir dizendo:

- Bom, já entendi, e realmente, você é muito forte, digno de ser chamado de "deus" por um bando de tolos sem perspectivas próprias que não sabem se virar sozinhos... Mas, eu tenho uma coisa para você!

Ele se vira com dificuldades e se apoia nos braços que falham miseravelmente dando trancos em seu corpo que quase cai, mas, consegue se reerguer até ficar de joelhos. Vendo aquilo, o deus alado faz uma proposta um tanto quanto ousada:

- Vamos fazer assim, paramos por aqui, você se levanta, vai embora tranquilamente e conte para o mundo, por onde você passar, o tamanho da surra que você levou aqui e o quão grandioso é Karurã, o deus dos céus, do ar e das explorações! Que tal?

- Não, não, não, hahaha... - responde Astran com dificuldades de falar enquanto tosse e colocando a mão sobre o núcleo e responde:

- Se eu não completar minha missão e se eu não concluir minha vingança, meu tumulo será aqui e agora, por honra! Não vou fugir como um covarde e ser apontado pelo mundo todo e pelos meus subordinados como uma vergonha!

Ele então pressiona o núcleo da armadura e uma simbologia desconhecida surge ao redor de sua mão, as os canais de energia se tornam mais incandescentes, os olhos brilham mais e o vapor começa a aumentar significativamente com muita pressão enquanto a pele por baixo da real penugem fica ainda mais brilhante. Ele retira a mão de cima do núcleo que apresenta o vazamento de uma substância semelhante ao magma que derrete a lasca de metal que outrora havia sido fincada ali.

- Senhor, senhor... - seu servo e conselheiro, anda com dificuldades entre os corpos e o terrenos destruído e se aproxima do seu deus até que todos são surpreendidos.

Determinado, Astran se levanta por completo, estufa o peito, abre os braços e asas para trás com brutalidade soltando um forte grito. A sua ação impacta em uma forte e quente pressão que joga ciscos, folhas, galhos menores e seu próprio vapor para longe dele em direção a todos que o cercam tornando impossível que todos o obsrvassem.

- Tem algo de errado, ele parece bem danificado, mas, também parece bem forte e determinado a cada instante!

O deus pássaro ampara seu rosto e parte do seu corpo abrindo suas asas para reter a pressão o calor e os ciscos, vira para seu servo e diz:

- Até aqui você vem com esses seus conselhos? Saia já daqui! Você vai morrer!

O usuário da bestívora some diante de todos, como se transferisse novamente e em uma velocidade absurda. Karurã faz brilhar cor de ouro seus olhos e o busca pelo campo e não o vê, mas, o oponente esta determinado, surge na frente do seus de asas e com as garras ferventes das pontas luminescentes como brasa, afere um forte golpe contra o peito do pássaro divino e o lança abruptamente longe.

O deus rola no chão e esfola o solo com as costas, apoia os antebraços e as garras das mãos no chão, bate suas asas se erguendo e finca arrastando as garras dos seus pés no chão fazendo um profundo rasgo na terra que causa sua desaceleração até parar em posição de combate e com as asas abertas.

- O que foi isso!? - se questionou, olhando para seu peito onde haviam rasgos de garras de onde sangue escorria.

Astran, caminha lentamente em direção ao seu inimigo, arrastando uma de suas pernas, segurando com a mão direita o braço esquerdo esticado que danificou ao aferir o último golpe em seu oponente enquanto do seu corpo vazavam vapor e fagulhas por vários pontos, do núcleo escorria fogo líquido e seus olhos antes constantemente acesos, agora piscavam como se fossem se apagar por completo.

Ele então, abre a mão do braço ferido e escorado e mostra as penas ensanguentadas da divindade entre seus dedos e declara:

- Eu definitivamente, tenho pena de você!

O alado divino, com olhar enfurecido, encara Astran a se aproximar.
O divinanti, inclina o corpo e pega uma lança pela metade de cabo quebrado no chão, solta um grito e bate rapidamente suas asas com a última de suas forças na direção do deus pássaro que com uma mão toma a arma de sua empunhadura e a outra segura em sua garganta o levantando do chão.

- Oras, você não achou que ia me acertar de novo não é? Ou você realmente achou!?

O combatente vai erguendo sua mão com dificuldade em direção ao alado que o segura pelo pescoço, o deus então gira a lança em sua mão e a finca profundamente no núcleo atravessando totalmente seu corpo e em seguida a puxa para baixo rasgando o bestívoro do peito até a barriga e o solta de joelhos no chão e declara:

- Você é o mortal mais habilidoso que eu já conheci! Me divertiu!

Astran cai de face sobre o solo e os lanceiros da divindade correm para perto de seu mestre e circulam a área com suas lanças posicionadas.

...

Karurã encontra-se sentado em uma rocha em meio ao que sobrou do seu acampamento enquanto curandeiros pressionam a ferida do seu peito e enrolam uma ata em volta de seu tronco.

Ao terminarem, ele se levanta e da a ordem a todos:

- Assim que as embarcações chegarem, voltem para além do ventre, nos fiordes do nordeste e se fortaleçam e preparem os suprimentos, pois, eu os encontrarei em breve!

Seu conselheiro corre até ele e receoso pergunta:

- Senhor, o que vais fazer?

Sem responder, ele olha para o horizonte focado, caminha até o meio da área onde todo o combate se desenrolou, ajoelha-se, toma Astran em seus braços e bate suas asas levantando voo levando com ele um pequeno esquadrão de montadores de grifos.

Assim, eles voam rumo ao leste.


...

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